Como posso, no entanto, no calor do teu encanto não me render ao meu pranto?
se ao passo que me entrego, parte de mim está ao teu alcance, e esta distância já não é só minha.
se o teu desejo passa a ser o referencial para minha distração e o teu envolvimento me coloca rédeas no peito; este peito que possui algo mais que coração, possui algo volúvel, intenso, sensível e inesperado; algo do qual tem acesso, mas a partir daí, a entrada é restrita - penso eu.
como posso exigir-te tanto se tenho o espaço restrito para você? - já te disse deste espaço?
Covardia desse peito vagabundo, equilibrista, que só se permite com alguma pista.
dar-se ao ponto da partida me colocaria muito perto do meu ponto de chegada, da saída.
Me permito então, essa doce ilusão, que me invade, me toca e me deixa longe do perdão.
